Ânion gap corrigido pela albumina

O ânion gap corrigido pela albumina soma 2,5 mEq/L ao valor medido para cada 1 g/dL que a albumina está abaixo de 4,0 g/dL. A correção existe porque a hipoalbuminemia reduz o ânion gap medido e pode mascarar uma acidose com gap elevado.

Qual é a fórmula do ânion gap corrigido

A fórmula do ânion gap corrigido acrescenta ao valor medido a parcela de ânions que a albumina deixou de contribuir:

AG corrigido = AG + 2,5 × (4,0 − albumina em g/dL)

Exemplo resolvido: ânion gap medido de 11 mEq/L com albumina de 2,0 g/dL resulta em 11 + 2,5 × (4,0 − 2,0) = 16 mEq/L. O valor medido está dentro da faixa de 3 a 11 mEq/L; o corrigido está acima dela. É a mesma coleta, e a conduta muda.

De onde vem o fator de 2,5

O fator de 2,5 vem de um estudo em nove indivíduos normais e 152 pacientes críticos, com 265 medidas, que quantificou o quanto o ânion gap observado subestima os ânions do gap conforme a albumina cai. Cada 1 g/L de queda da albumina produziu subestimação de 0,25 mEq/L 2. Como a albumina no Brasil é reportada em g/dL, o mesmo fator vira 2,5 mEq/L por g/dL.

A albumina é o principal ânion não mensurado do plasma, e responde por boa parte do ânion gap de uma pessoa saudável. Quando ela cai, o ânion gap basal cai junto — sem que nada tenha acontecido do ponto de vista ácido-base.

Quando aplicar a correção pela albumina

Aplique a correção sempre que a albumina estiver abaixo de 4,0 g/dL, e olhe os dois valores lado a lado. A hipoalbuminemia é comum em paciente crítico, em hepatopata, em síndrome nefrótica, em desnutrição e em qualquer processo inflamatório arrastado — ou seja, exatamente na população em que a acidose com gap elevado importa mais.

Com albumina acima de 4,0 g/dL, a mesma fórmula produz correção negativa e o ânion gap corrigido fica abaixo do medido. A calculadora aplica isso, mas o achado é bem menos frequente e raramente muda conduta.

O que a correção pela albumina não faz

A correção pela albumina não transforma o ânion gap em teste diagnóstico. Ela ajusta o ponto de partida, não identifica o ácido acumulado nem substitui lactato, cetonemia, função renal e história clínica. Três limites que vale conhecer:

  • Corrigir pela albumina não melhora a detecção de todos os desfechos estudados; há literatura mostrando desempenho modesto para rastrear hiperlactatemia especificamente.
  • O fosfato também é ânion não mensurado e não entra nesta correção. Em hiperfosfatemia importante, o ajuste fica incompleto.
  • A correção não resolve interferência de método, como na paraproteinemia ou na intoxicação por brometo.

Quando a albumina está baixa e o quadro sugere acúmulo de ácidos, o ânion gap corrigido é o valor a considerar. Quando ele diverge do medido, a página inicial mostra os dois com a diferença destacada e a delta-ratio calculada sobre o corrigido.

Perguntas frequentes

Como corrigir o ânion gap pela albumina?

Some ao ânion gap medido 2,5 mEq/L para cada 1 g/dL que a albumina está abaixo de 4,0 g/dL: AG corrigido = AG + 2,5 × (4,0 − albumina). Com ânion gap de 11 e albumina de 2,0 g/dL, o corrigido é 16 mEq/L.

Por que a hipoalbuminemia mascara a acidose com ânion gap elevado?

A albumina é o principal ânion não mensurado do plasma e responde por boa parte do ânion gap basal. Quando ela cai, o ânion gap basal cai junto. Um acúmulo de ácidos que elevaria o gap pode então resultar em um valor que ainda parece normal na faixa de referência.

Autoria e revisão

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Autor, revisor técnico e responsável pelo conteúdo médico: Dr. Carlos Eduardo Miranda Bruzzi Felipe — CRM/MG 105.721. Médico com atuação em emergência pediátrica e atenção primária em Minas Gerais, Brasil.

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