Causas de ânion gap elevado (GOLD MARK)

O mnemônico GOLD MARK reúne as causas de ânion gap elevado: glicóis, oxoprolina, L-lactato, D-lactato, metanol, aspirina, causa renal e cetoacidose. Todas elevam o gap por acúmulo de ânions não mensurados. O contexto clínico separa uma da outra, não o valor.

O que é o mnemônico GOLD MARK

GOLD MARK é um mnemônico proposto em 2008 para organizar as causas de acidose metabólica com ânion gap elevado a partir dos ânions que efetivamente se acumulam3. Ele lista o ânion, não a doença — que é justamente o que torna a lista útil à beira do leito.

Causas de ânion gap elevado segundo o mnemônico GOLD MARK
LetraCausaContexto
GGlicóisetilenoglicol, propilenoglicol
OOxoprolinapiroglutâmico; uso crônico de paracetamol
LL-lactatohipoperfusão, sepse, isquemia
DD-lactatosupercrescimento bacteriano, síndrome do intestino curto
MMetanol
AAspirinasalicilato
RRenaluremia
KCetoacidosediabética, alcoólica, de jejum

GOLD MARK foi publicado como correspondência no The Lancet. É recurso mnemônico de organização, não classificação validada.

Por que MUDPILES envelheceu

MUDPILES é o mnemônico mais antigo para a mesma lista, e envelheceu por dois motivos. Primeiro, inclui itens hoje raros ou incorretos: o P costuma ser atribuído a paraldeído, praticamente fora de uso, e o I a ferro ou isoniazida, causas incomuns de gap elevado isolado. Segundo, omite entradas que ganharam relevância, como a oxoprolina do uso crônico de paracetamol e o propilenoglicol de veículos de medicamentos intravenosos.

MUDPILES continua circulando e não é errado usá-lo como apoio de memória. Mas quem parte dele tende a procurar as causas erradas primeiro, e a não procurar duas que aparecem em paciente internado.

Como separar as causas na prática

Separar as causas de ânion gap elevado depende de exames dirigidos, porque o valor do gap é o mesmo para todas elas. O roteiro habitual:

  • Lactato — resolve a maior parte dos casos de paciente grave. L-lactato elevado aponta hipoperfusão, sepse ou isquemia. D-lactato exige dosagem específica e entra na suspeita de supercrescimento bacteriano ou intestino curto.
  • Cetonemia ou cetonúria — cetoacidose diabética, alcoólica ou de jejum. Na cetoacidose diabética, a hiperglicemia também desloca o sódio medido, e vale conferir o sódio corrigido pela glicemia antes de interpretar a natremia como hiponatremia verdadeira.
  • Ureia e creatinina — a uremia acumula sulfato, fosfato e ácidos orgânicos. Quando o gap elevado acompanha perda de função renal, estimar o clearance de creatinina dimensiona o quadro melhor do que a creatinina isolada.
  • Gap osmolar — na suspeita de intoxicação por metanol ou etilenoglicol, um gap osmolar elevado junto do ânion gap elevado é o achado que sustenta a hipótese e não pode esperar.
  • Salicilato — a intoxicação por aspirina costuma cursar com alcalose respiratória associada, e a delta-ratio ajuda a suspeitar do padrão misto.

Ânion gap elevado sem acidose

Ânion gap elevado nem sempre significa acidose metabólica instalada. Alcalose metabólica e desidratação grave elevam discretamente o gap por concentração de albumina e por aumento da carga aniônica dela. Administração de alguns ânions em grande volume, como citrato e lactato de soluções, também desloca o valor. Por isso o gap se interpreta junto do bicarbonato e do pH, nunca sozinho.

Perguntas frequentes

Quais são as causas de ânion gap elevado?

O mnemônico GOLD MARK organiza as principais: glicóis, oxoprolina, L-lactato, D-lactato, metanol, aspirina, causa renal e cetoacidose. Todas elevam o gap por acúmulo de ânions não mensurados. O contexto clínico e exames dirigidos, não o valor isolado, é que separam uma causa da outra.

Autoria e revisão

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Autor, revisor técnico e responsável pelo conteúdo médico: Dr. Carlos Eduardo Miranda Bruzzi Felipe — CRM/MG 105.721. Médico com atuação em emergência pediátrica e atenção primária em Minas Gerais, Brasil.

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